Modernidade Móveis

Clássicos, Modernos e Contemporâneos

Casa Cor Rio 2010

5 de outubro de 2010 | Categoria: Atualidades · Decoração · Eventos| Seja o primeiro a comentar!

Minha alma canta. Vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudades.
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim … Cristo Redentor braços abertos sobre a Guanabara. Estou morrendo de saudades…
Tom Jobim,  Roberto Carlos, Vinícius de Morais, Pão de Açúcar…     Copacabana e a Casa Cor Rio 2010, que nessa edição completa 20 anos, e mais uma vez abre suas portas para o novo o criativo e o ousado.

A edição mostra, em 61 espaços criados por 85 arquitetos, decoradores e paisagistas, o jeito carioca de morar, retratando as tendências de comportamento da família brasileira nos últimos 20 anos.

No post “Casa Cor Rio de Janeiro” você assistiu o vídeo com a chamada para esse evento maravilhoso. Neste artigo apreciará as fotos dos espaços internos e externos que compõem a Casa Cor Rio 2010, que completa 20 anos nessa edição.

Vamos dar uma espiadinha?

Modesto Leal, o Palacete em estilo eclético é considerado umas das últimas chácaras urbanas da cidade, possuindo cerca de 4 mil m² de área construída e cercado por 50 mil m² de Mata Atlântica. Aproveitando as belezas naturais do local, a 20ª Casa Cor oferece aos visitantes diferentes áreas externas de lazer.

O projeto dos arquitetos Diego Uribbe, Duke Capellão e Rodrigo Kalache, do Movimento Arquitetura, dá boas-vindas aos visitantes com um ambiente inspirado na estética modernista. O toldo de madeira curvo, tingido de vermelho e apoiado nas pilastras neoclássicas originais da casa, se destaca junto ao balcão que traz, na parte da frente, uma base de acrílico iluminada e estampada com desenhos que repetem os balaústres típicos da construção. Ao lado, a poltrona de grandes proporções In+Out, de Philippe Starck, reforça o tom irreverente do espaço.

Gigantes formigas de madeira invadiram este pitoresco piquenique montado à sombra de uma velha jaqueira. A vitrola e a toalha xadrez remetem à atmosfera lúdica dos anos 60. “Nos inspiramos no visual das pin-ups”, conta o arquiteto Ricardo Melo, que assina a ambientação do jardim com o arquiteto Rodrigo Passos. Práticas cadeiras e bancos da marca francesa Tolix foram importados especialmente para o evento e fazem contraponto com objetos de porcelana branca de ares provençais.

A inspiração veio de uma recente visita à horta do papa, em Roma. Os paisagistas Claudio Pedalino e Suzi Barreto ficaram encantados com o ambiente rústico, que emanava tranquilidade e refinamento, e transportaram a ideia para a Casa Cor. Aqui, entre árvores frutíferas e mudas de temperos, uma grande mesa de madeira maciça recebe amigos e família à sombra de duas jabuticabeiras. Luminárias de ferro oxidado reforçam a atmosfera zen do local, especialmente agradável no fim de tarde. No piso, a cobertura de seixos cria uma textura natural e de fácil manutenção.

Duas espirais concêntricas de aço corten têm suas paredes internas revestidas de plantas, formando uma passagem que recria a ordem de evolução das plantas, desde os musgos e fungos até as flores, as espécies mais evoluídas. “Meu labirinto tem apenas um caminho, ele representa o caminho do meio: o do equilíbrio entre homem e natureza”, diz a paisagista Maritza de Orleans e Bragança. A exuberância do verde pode ser contemplada por aberturas na parede do labirinto ou do banco circular que ladeia este jardim de 65 m².

Duas espirais concêntricas de aço corten têm suas paredes internas revestidas de plantas, formando uma passagem que recria a ordem de evolução das plantas, desde os musgos e fungos até as flores, as espécies mais evoluídas. “Meu labirinto tem apenas um caminho, ele representa o caminho do meio: o do equilíbrio entre homem e natureza”, diz a paisagista Maritza de Orleans e Bragança. A exuberância do verde pode ser contemplada por aberturas na parede do labirinto ou do banco circular que ladeia este jardim de 65 m².

Nesta construção debruçada sobre a piscina sobressai a permeabilidade visual, ou seja, o visitante observa ao mesmo tempo interior e exterior. “Usei o vocabulário modernista como base para uma arquitetura contemporânea”, ressalta o arquiteto Ivan Rezende, que homenageou os 50 anos de Brasília. Círculos rasgados no gesso e preenchidos com tensoflex iluminam de cima um dos ambientes, que conta com ícones do design, como a poltrona de ferro e tiras de couro, de Flávio de Carvalho, e as poltronas Leve Tajá na cor vermelha, de Sergio Rodrigues.

Poltronas Leve Tajá na cor vermelha, de Sergio Rodrigues.

Banheiros externos

Estofada com veludo italiano antigo, a cabeceira da cama virou o centro das atenções neste quarto. “Como o cômodo é cercado por janelas, a solução foi posicionar a cama no meio”, conta a arquiteta Roseli Müller. Por trás dela se esconde uma mesa de estudos, que ganhou iluminação diferenciada pelo pendente horizontal, revestido de seda pregueada por Luciana Martins Rosa. O tom azul-petróleo se espalha pela cama e pelo tapete, um patchwork de modelos antigos. Repare no arremate das cortinas: ele também abriga a iluminação indireta que destaca o teto, com pintura em arabescos do artista Benoit Gentil.

A parede de pedra ao fundo, as colunas de mármore e até mesmo a madeira de demolição da estante são o engenhoso resultado de pintura de arte, realizada pelo cenógrafo Clécio Régis e sua equipe. Gesso e isopor formam a base de tudo. “Procurei recriar os materiais e as cores encontrados nas construções típicas da Toscana, na Itália”, diz o designer de interiores Leonardo de Magalhães Pinto, que planejou a loja. Todos os objetos, a maioria de origem europeia, seleção da empresária Lalla Bortolini, estão à venda.

Um estudioso do Brasil ocupa esta biblioteca em que estantes, mesas e imponentes luminárias, todas feitas de ferro, foram detalhadas pelo arquiteto Chicô Gouvêa. Com aspecto envelhecido, o sofá e a banqueta de couro exibem estampas de mapas, bandeira e rosa-dos-ventos. A ausência de cor foi proposital para valorizar a arquitetura original da casa, que não sofreu alteração. Uma curiosidade: como seria difícil transportar todos os 40 metros lineares de livros que ocupariam as seis estantes do espaço, caixas e painéis de madeira foram impressos com as imagens dos títulos, imitando assim suas lombadas.

A sala íntima da designer de interiores Solange Medina aposta no relaxamento com tons e texturas suaves e neutras. Sancas e adornos originais da construção foram mantidos, dando um toque de aconchego. Um painel de marcenaria, pintado de off-white, serve de encosto para o sofá e embute estantes nas laterais. Almofadas criadas com tecidos importados, beneficiados com bordados, combinam com a padronagem listrada do sofá. A mesa de centro, desenhada especialmente para o espaço, leva a assinatura de Solange.

Luiz Fernando Grabowsky enfrentou o desafio de transformar a garagem do casarão centenário em uma cozinha própria para acolher grupos de degustação. “Parti da cor vinho e acrescentei tons de marrom, cobre e bronze para dar aconchego e o clima de lounge”, conta o arquiteto. Ao fundo, uma contemporânea cozinha em U é separada por uma ilha que permite ao chef interagir com os visitantes. Sob a bancada, uma parede de pedra, sustentada por malha de ferro e iluminada, empresta rusticidade ao lugar. A mesa com acabamento de laca vinho tem 5 m e conta com a companhia das poltronas Pantosh, criação dos designers Leonardo Lattavo e Pedro Moog.

O estilo clássico pode ser admirado em cada detalhe. Ao escolher um romântico papel de parede, molduras e sancas e ainda um lustre de cristal, as arquitetas Deborah Brauer e Cristine Paes propõem uma volta ao passado. Os móveis de estilo Luís XV, com acabamento em pátina provençal, repousam sobre um tapete aubusson em tons claros, que cobre com delicadeza o piso de madeira do quarto. Por trás do cortinado, um toque diferente: parte da parede foi revestida com treliçado de palha.

Para aproveitar melhor a varanda, a arquiteta Adriana Valle e a designer de interiores Patrícia Carvalho a cobriram com metal e vidro e subiram uma parede de alvenaria e gesso na lateral, onde nichos envidraçados funcionam como quadros da natureza. Ali, o casal reúne peças herdadas da família, como a mesa oval, banquetas e baús do antiquário Arnaldo Danemberg. Sobre o piso de cimentado, um tapete criado pelas profissionais repete os tons cru e azul da decoração

Laranja e preto dão o tom nada convencional à lavanderia de 12 m2 projetada pelas arquitetas Adriana Falcão e Gisele Falcão. Para liberar espaço na bancada, a dupla suspendeu a máquina de lavar, que pode descer a um simples toque de botão. “Pensamos em uma paginação sob medida para ocupar o quarto reversível de um apartamento jovem”, diz Gisele. O pendente estilo retrô Mirror Balls, do designer Tom Dixon, reforça o contexto antenado. Nos armários suspensos, a porta de vidro recebeu a aplicação de uma padronagem pontilhada, que lembra chapas metálicas industriais

Minicozinha, bancada de escritório e ainda uma cama confortável: o que mais um hóspede pode desejar? “É uma estrutura completa. Busquei unir sofisticação e elegância, para receber com estilo”, afirma a designer de interiores Cláudia Brassaroto, que desenvolveu a maioria dos móveis: cama com cabeceira estofada presa à parede e mesas de cabeceira forradas com tecido acamurçado. A paleta varia entre preto, cinza e branco, tons neutros e sempre atuais. “O papel tem pequenos relevos prateados e dá uma unidade descontraída e leve ao ambiente”, acrescenta ela.


Design e história se misturam com bom humor neste local de passagem. O arquiteto e designer Jimmy Bastian Pinto aproveitou o pé-direito alto para expor estátuas portuguesas de faiança do século 19, que decoravam fachadas, jardins e muros de casas importantes no tempo do Império. Parte da coleção do Instituto Portucale de Cerâmica Luso-Brasileira, as peças se destacam na parede azul. “Quis brincar com a fi gura humana, das estátuas às almofadas, decoradas com estampa de Fornasetti”, diz Jimmy, que assina as mesas com seixos de ametista e o sofá. Cadeiras One, do designer Konstantin Grcic, arrematam a sala.


Fiel ao estilo neoclássico do palacete, a designer de interiores Marilene Galindo assina um lavabo digno dos tempos áureos da casa. Mantendo o pé-direito de 4 m, ela valorizou as amplas janelas com fartas cortinas, arrumadas à moda antiga, e forrou paredes com papel de estampa discreta, onde o cinza prevalece. A bancada de granitato branco traz linhas sinuosas e textura rústica e a réplica de espelho veneziano completa o visual, que enfatiza o requinte de antigamente.

Clássico, o estar assinado pelos arquitetos Geraldo Lamego e Lia Lamego varia do ocre ao dourado com refinamento e elegância. Para degustar um aperitivo antes do jantar, pai e filha forraram as paredes com um papel puxado para um tom de ouro discreto e sofisticado. A pintura a óleo, posicionada com destaque em cima do sofá de linhas retas e design moderno, leva a assinatura do próprio Geraldo, artista plástico dedicado nas horas vagas. O tapete, estampado com grafismos, fica bem visível sob a mesa de vidro transparente, em forma de cubo.

Uma elegância casual e requintada marca o estar criado pela arquiteta Lou Palhares. Ela forrou as paredes com papel listrado em discretos tons de off-white, e expôs ali uma série de gravuras de sua coleção particular. Uma moldura larga, pintada de azul-marinho, contorna o espaço, ressaltando o tecido estampado que cobre o sofá e as almofadas. O piso original, de tábuas corridas, intercala diferentes tonalidades de madeiras. “Queria montar um clima aconchegante e confortável, mas com toques clássicos que remetessem ao passado da casa”, diz Lou.

O homenageado, aqui, é o jovem chef Thomas Troigros, filho de Claude Troigros. Ele ganhou uma suíte de 25 m², moderna e confortável. Contornos sinuosos com acabamento de tecnocimento branco comparecem no piso, na cama baixa e no forro das paredes, reforçando a assumida inspiração, do arquiteto Rogério Antunes e do decorador Bernardo Schor, na arquitetura contemporânea de Zaha Hadid e Ron Arad. Junto à bancada da cozinha, uma plotagem traz imagem do Louvre estilizada e a tela de grandes proporções, posicionada em cima da cama, leva a assinatura de João Machado, filho do artista plástico Juarez Machado.

A Casa Cor na Cidade Maravilhosa é tudo de bom.

Dê uma passadinha por lá você também!

Tenho certeza que você  vai querer voltar todos os anos.

Fotos  Casa Abril.

Mais fotos da Casa Cor Rio 2010 no Flickr.

Autor do post

avatar
Esme Rodrigues

Nasci junto com a Modernidade Móveis e da necessidade desta.

Mais da mesma

Nenhum comentário

  • Não existem comentários ainda. Deixe o seu!